6º e 7º anos participam de conversa com integrantes da ADEVE

Palestra ADEVE (23)Conhecer o dia a dia de um deficiente visual e saber como é possível ajudar. Estes foram os objetivos da visita de cinco representantes da Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (ADEVE) ao Instituto Anglicano Barão do Rio Branco, na tarde desta quarta-feira (30). No entanto, a conversa entre os deficientes visuais Antônio Pereira, Naiara Noara e Sônia Maróstica, a psicóloga Kátia Renata Dick, a assistente social Elisângela Schwanke e os estudantes do 6º e 7º anos do Barão ultrapassou os objetivos traçados inicialmente pela professora Viviane Molossi Valmorbida, autora do convite. “A capacidade de se colocar no lugar do outro sabendo respeitar as diferenças, proporcionaram muito mais do que uma simples conexão entre o conteúdo ‘vestimentas’ e ‘corpo humano’, trabalhados nesta unidade com as turmas, na disciplina de Língua Espanhola”, enfatizou a professora.
Durante a conversa, os visitantes contaram aos estudantes que não nasceram cegos, mas que diferentes doenças e circunstâncias fizeram com que ficassem com baixa visão, como é o caso de Antônio, ou perdessem totalmente a capacidade de enxergar. “Nasci com catarata congênita. Aos 11 anos, na escola, levei uma bolada de um colega e tive deslocamento de retina, até que, aos 23 anos, perdi a visão por completo”, narrou Naiara, lembrando que na época seu filho tinha apenas 4 meses.
Palestra ADEVE (27)O relato sobre a aceitação da bengala foi outro momento de muita comoção, “uma das fases mais difíceis da minha vida foi começar a utilizar a bengala. Naquele momento entendi que não tinha mais volta, estava recebendo meu diploma de cega. Depois, passei a compreender que só com a bengala eu teria independência e aos poucos fui me adaptando. Se acostumar a gente nunca consegue e eu ainda tenho esperança que a ciência traga uma solução, para voltarmos a enxergar”, relatou Sônia.
O desafio de lidar diariamente com o preconceito, a falta de acessibilidade e mesmo as dificuldades de encontrar materiais adaptados para atividades e de confiar em estranhos foram outros pontos que pautaram a conversa, oriundos de questionamentos feitos pelos alunos. No entanto, em diversos momentos, o bom humor do grupo também encantou, “como eu decido o que quero comer? Pelo cheiro ué”, foi uma das respostas de Antônio, recebida com risos pelas turmas, assim como a constatação de Naiara “eu só não debocho da minha sombra porque não vejo ela”.
Através da apresentação da assistente social e da psicóloga, o trabalho desenvolvido na ADEVE também ficou claro aos estudantes, “a ADEVE é um local de acolhimento, de escuta, um espaço de identificação entre os integrantes para que possam trocar experiências para a conquista da autonomia. Além disso, a Associação também é um espaço onde eles podem dar boas risadas, saindo renovados”, explicaram as profissionais. A realização da palestra aos alunos do Barão, neste dia 30, culminou com o aniversário de 5 anos da Associação dos Deficientes Visuais de Erechim.

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